terça-feira, 23 de novembro de 2021

Meu poema sobe ao palco em Pindamonhangaba

Na próxima quinta-feira, dia 25 de novembro (também conhecida como depois de amanhã), a partir das 19 horas, acontece o XV Festipoema. Promovido pela prefeitura e pela academia de letras da cidade paulista de Pindamonhangaba,  esse festival premia anualmente poemas inéditos (de todo o país) e declamadores locais, que sobem ao palco para defender os poemas selecionados. Nesta edição, tive a honra de ser um dos 15 poetas selecionados, e estarei representando o Rio Grande do Sul.

"Estarei", claro, é modo de dizer. Meu poema "Preso-Livre" é que vai estar sendo declamado por lá. Resultado de um desafio proposto pela Fundação Iberê Camargo, em torno da situação de isolamento social, foi escrito em junho do ano passado.

O XV Festipoema terá transmissão ao vivo pelo canal da Prefeitura de Pindamonhangaba no Youtube. Mas os leitores do blog podem ler aqui o poema, em primeiríssima mão. 

Preso / Livre 

Preso e protegido
(por enquanto, ao menos)
nesse apartamento:
pássaro cativo,
morrendo de medo
de sair do ninho.

Preso ao seu emprego,
dentro de uma cela
ou num casamento.
Preso na miséria.

Preso a pensamentos
que nunca dão trégua;
preso (não tem jeito) 
à ilusão das telas.

Preso às consequências
de suas escolhas;
por grave delito;
a um amor antigo.

Preso à Natureza,
ao pecado, ao vício,
a um corpo finito,
a uma vida pouca.

* * *

E livre, apesar de
todos os entraves:
alma impenetrável
àqueles olhares
prontos a julgarem
o que não lhes cabe.

Espírito livre,
não enxerga o mal,
aberto aos convites
que a vida lhe faz.
 
Livre qual o cometa,
no espaço infinito,
zomba dos planetas,
em seus rumos fixos.

Livre, de repente,
qual lagarta presa
em roupão de seda,
pendente de um fio,
que, sem prévio aviso,
numa tarde quente,
vira borboleta
e ganha o vazio.

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