Inauguramos o ano novo por aqui com um poema não apenas inédito, mas até experimental. O texto é indissociável da sua apresentação visual, modalidade que não é bem a minha praia, ainda que aprecie. Ao custo de um pequeno incômodo, que é ter de virar o seu computador de cabeça pra baixo, ele oferece ao leitor mais de uma possibilidade de "roteiro" para o passeio, quer dizer, a leitura. Descubra o(s) seu(s).
Tem uns dias de atraso, vá lá, mas fica como uma singela homenagem pessoal a Sampa (ou Paulicéia Desvairada, que aniversaria em 25 de janeiro), que andei visitando com mais frequência no ano passado e retrasado, por causa de um curso que fui fazer por lá.
Toda semana, um poema, ou quase. Era uma vez uns versos que ficaram presos ao papel, em livros, cadernos e gavetas, por anos a fio. Até então acessíveis a poucos, agora andam soltos, passeando pelo hiperespaço e além.
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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
O soneto no boteco
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| O famoso Zicartola, no Rio de Janeiro, em cujas mesas muita poesia nasceu. |
Embora um dos segredos da poesia seja a capacidade de enxergar as coisas do cotidiano (em nossa casa, nossa rua e nossa cidade) de forma distinta da que estamos acostumados, também é fato que as viagens nos oferecem sempre oportunidades e motivações para escrever. Assim como um poema que publiquei aqui no mês passado surgiu numa viagem de ônibus pelo Rio Grande do Sul, o de hoje foi iniciado num bar, numa de minhas visitas à capital paulista, onde por acaso me encontro novamente no dia de hoje. Foi há exatos 10 anos, e continuo gostando muito dele. Está em Luta+vã (Libretos, 2012).
Soneto XXVIII (Paulistano)
O alívio de sentar-se num café
e ver um futebol sem ter idéias...
E ao tempo em que absorvo o alimento,
deixar que o chope faça o seu efeito.
Sonhar que a moça loira à mesa em frente
é a mesma que deixei nalgum lugar,
assim como hoje deixo em casa o peso
dos anos e problemas cotidianos...
O alívio de deter-se em qualquer parte
estranha a mim, alheia ao meu caminho,
alívio de ser eu, ansiado prêmio
que a mim parece inteiramente justo,
igual ao resultado da partida
jogada por dois times que eu ignoro.
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