Para o Concurso Tâmaras: Poesias para depois de amanhã, escrevi e gravei em vídeo meu quadragésimo-terceiro soneto, mês passado. Confira acima a leitura no YouTube. O poema pode ser adquirido no formato e-book na Amazon em Amazon.com.br eBooks Kindle: Soneto 43: Da rua nova, Santi, Alvaro
Toda semana, um poema, ou quase. Era uma vez uns versos que ficaram presos ao papel, em livros, cadernos e gavetas, por anos a fio. Até então acessíveis a poucos, agora andam soltos, passeando pelo hiperespaço e além.
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sábado, 26 de junho de 2021
sábado, 10 de novembro de 2018
Um soneto pro Mansueto
O ano está quase acabando, mas ainda dá tempo para (no mínimo) mais uma boa notícia. Tive um poema premiado pelo Concurso Literário Mansueto Bernardi, realização da Prefeitura de Veranópolis RS. A cerimônia de premiação será na próxima terça-feira.Por muitos anos deixei de participar de concursos, meio por cansaço ("pra que isso?"), meio por descrença ("é tudo marmelada!"). Só no ano passado voltei a enviar meus poemas, o que não deixa de ser uma "pressão saudável" para escrever, organizar e publicar a produção. Ah, os prazos...
Em sua décima-nona edição, o concurso homenageia o poeta Mansueto Bernardi, que residiu naquela cidade de 1942 até seu falecimento, em 1966, e que dá nome à biblioteca municipal. "Poeta", no caso, é apenas uma faceta, bem marginal até, desse cidadão, que foi um dos cérebros da Editora do Globo, nos áureos tempos desta. Nascido na Itália, foi também jornalista, professor e ocupou importantes cargos públicos no Estado e no Governo Federal.
Por coincidência, pouco antes de tomar conhecimento do concurso, eu andava garimpando num sebo aqui perto e encontrei seu livro Terra Convalescente, último que publicou, um ano antes de morrer. Contém sua poesia reunida, sob o mesmo título do que foi seu primeiro livro, lançado em 1918.
Sobre o poema premiado, uma curiosidade é eu tê-lo escrito para outro concurso, cujo regulamento (coisa relativamente rara), estabelecia um tema: “Confesso que me enternece a ideia de que, pelo menos no início dessa nova era ainda haverá avós que ensinarão suas netas a costurar roupinhas de boneca”. Deu um trabalho, tive de acrescentar os biscoitos, um cenário de ficção científica, meio apocalíptico e tal. Enviei lá pra Riberão Preto, em maio, e... nada. Mas como o resultado me agradou, tentei de novo e deu certo. Taí ele:
Soneto XXXVI
Foi decretado, num distante ponto
do Hiperespaço, pela obra e graça
do Supremo Cérebro Eletrônico,
da Galáxia a autoridade máxima,
num idioma só das máquinas sabido,
para se comunicarem entre si,
mas logo prontamente traduzido
para a nossa Língua Geral Tupi,
a fim de amenizar a dor atroz
da humanidade, nesse mundo louco:
- Por algum tempo ainda haverá avós,
(E a quem não enternecerá a ideia?)
que ensinarão suas netas a cozer biscoitos
e costurar roupinhas de bonecas.
terça-feira, 12 de junho de 2018
No dia dos namorados, um soneto para os fantasmas
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| Meus pais, no lançamento de Viagens de uma Caneta |
Não sei se se presta muito bem à efeméride, pois que nele a ironia, como de costume, se mete a disfarçar o romantismo (ou a rir dele). Julgue o leitor.
SONETO VIII
para Lu
vêm as amadas mortas, queridas,
e as esquecidas, ainda agora tentando
em mim prolongar suas vidas.
Por um nada não fomos felizes,
dizem umas, e logo ao meu pescoço
se lançam. Outras, de empinados narizes,
me acusam: "– Já não parece tão moço..."
E dançam, com vontade, as musas
de outrora, com escárnio ou ternura.
E logo a elas se juntam, confusas,
outras tantas lembranças, em tal mistura
de louras, negras, índias e cafuzas,
que já não sei meu coração o que procura.
(24/1/1991)
sábado, 23 de setembro de 2017
Um quarto de século e um troféu barato
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| A edição do livro foi resultado do concurso realizado no ano anterior. |
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| O famigerado troféu |
O troféu, reproduzido ao lado, foi objeto de uma polêmica desagradável e meio risível. Como constasse no regulamento do prêmio, e já tinham se passado alguns meses sem notícia dele, escrevi uma carta nada diplomática ao então Pró-Reitor de Extensão da UFRGS, cobrando. Em resposta, ele me chamou ao seu gabinete, onde revelou-se indignado com a cobrança. Não guardei cópia da carta, logo é difícil dizer em que medida os termos da carta possam lhe dar razão, mas é claro que não tive a intenção de ofendê-lo pessoalmente (eu sequer o conhecia). Era um problema institucional. Segundo me explicou, a confecção do troféu era responsabilidade do Instituto de Artes, que deveria ter promovido seu próprio concurso para escolhê-lo, o que não aconteceu por algum motivo. Não era culpa dele, e nem problema meu. A "solução" que encontrou, para eu parar de lhe encher o saco, foi mandar fazer essa coisinha aí na loja da esquina. O que para mim pouco importa, e guardo com muito orgulho, evidentemente.
Segue um dos poemas que estão lá, meu primeiríssimo soneto.
Soneto I
Uma desgraça espreita no meu dia, e morde
as pontas de meus dedos, entre os lençóis brancos:
saudades de um tempo de humor e de arrancos,
que some na poeira, atrás de um velho Ford.
Lá se foram, dias da feliz ignorância
que embebe as flechas da ironia juvenil:
do mundo adulto me contemplam mais de mil
olhos frios, que receio, mesmo à distância.
Crescer, tento explicar a mim mesmo, é esquecer de
tudo que já fui, ainda que somente em bruma:
pintar-me de cinza, para ocultar o verde
rosto que da infância trago, sem ruga alguma,
(quem sabe, logo, um filho nascerá que o herde)
e decretar-me o início da velhice, em suma.
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Independência ou morte?
[Já lá se foram quatro meses sem poema novo nesse blog. E como parecia facilmente alcançável, quando iniciei, a meta de publicar um poema por semana...]
Para quem, como eu, aprendeu o significado de pátria num tempo em que ela não era democrática (ou, radicalizando um pouco, quando era ainda menos democrática que hoje), pode ser difícil separá-la daquela sensação de ser um pato, que começa a se instalar quando você vai ficando adulto e entendendo melhor o significado daquelas horas cívicas, daqueles desfiles escolares, daquelas bandeirinhas agitadas para homenagear ditadores e recepcionar autoridades não eleitas. É no que eu costumo pensar, em dias como hoje.
Pois tava eu aqui, então, nesse feriado, tentando terminar uns poemas rascunhados, passando outros a limpo, e eis que me sai isso, bem a propósito desse momento difícil, confuso, por vezes deprimente. Um inédito, portanto, para compensar os leitores por esses meses de silêncio. E uma pitada de ironia, pra segurar o rojão.
Com a obra da tua vida, teu esforço,
tua casa, teu jardim, tua expertise,
apenas arranhaste a superfície
sob a qual trafegam rios de esgoto.
Tua interpretação de Wittgenstein
até que vende bem, como auto-ajuda.
Com frequência, a memória te trai,
em meio àquele poema de Neruda.
Foram ficando pra trás, as vanguardas;
a coisa não andou mais que um milímetro,
e mesmo assim - em que sentido?
Retroceder, jamais? Hacia adelante?
Seguir o rumo de um bom restaurante?
Teu GPS pede as coordenadas.
Para quem, como eu, aprendeu o significado de pátria num tempo em que ela não era democrática (ou, radicalizando um pouco, quando era ainda menos democrática que hoje), pode ser difícil separá-la daquela sensação de ser um pato, que começa a se instalar quando você vai ficando adulto e entendendo melhor o significado daquelas horas cívicas, daqueles desfiles escolares, daquelas bandeirinhas agitadas para homenagear ditadores e recepcionar autoridades não eleitas. É no que eu costumo pensar, em dias como hoje.
Pois tava eu aqui, então, nesse feriado, tentando terminar uns poemas rascunhados, passando outros a limpo, e eis que me sai isso, bem a propósito desse momento difícil, confuso, por vezes deprimente. Um inédito, portanto, para compensar os leitores por esses meses de silêncio. E uma pitada de ironia, pra segurar o rojão.
Soneto XXXV
tua casa, teu jardim, tua expertise,
apenas arranhaste a superfície
sob a qual trafegam rios de esgoto.
Tua interpretação de Wittgenstein
até que vende bem, como auto-ajuda.
Com frequência, a memória te trai,
em meio àquele poema de Neruda.
Foram ficando pra trás, as vanguardas;
a coisa não andou mais que um milímetro,
e mesmo assim - em que sentido?
Retroceder, jamais? Hacia adelante?
Seguir o rumo de um bom restaurante?
Teu GPS pede as coordenadas.
sábado, 22 de outubro de 2016
Mais um soneto (e um prêmio)
Esta semana - em que o blog completa meio ano de existência - serei obrigado a atacar com outro soneto. Não que eu quisesse, pelo contrário, preferia economizá-los, já que não faço em média mais do que um por ano e, como neste mês já publiquei este e aquele outro, periga acabar faltando material. Talvez eu seja obrigado a fazer haicais para preencher o espaço.
Mas paciência, porque afinal um deles, o penúltimo que finalizei, acaba de ser premiado - 2o. lugar na categoria regional - no 12o. Concurso Literário Mário Quintana, promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores da Justiça Federal (Sintrajufe-RS). Além do troféu, os poemas selecionados serão reunidos num livro, a ser lançado no dia 15 de novembro, às 14h, na 62a. Feira do Livro de Porto Alegre.
Ei-lo:
Bem tolo, amor, é quem te compra em drágeas
ou, ainda pior, dulcíssima emulsão,
pensando que és, amor, a cura mágica
do humano mal, divina salvação.
Ingênuo, amor, é quem pretende
permanecer distante, estar a salvo,
seguir dietas, evitar ambientes
insalubres, manter-se vacinado.
Que coisa eu posso amar, senão o enigma,
que quanto mais me é estranho, mais fascina?
Que posso amar, senão o enigma e nada
além, buscar no outro o que me falta,
sabendo nele amar o imprevisível,
amor que a nós faz cada vez mais livres?
Mas paciência, porque afinal um deles, o penúltimo que finalizei, acaba de ser premiado - 2o. lugar na categoria regional - no 12o. Concurso Literário Mário Quintana, promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores da Justiça Federal (Sintrajufe-RS). Além do troféu, os poemas selecionados serão reunidos num livro, a ser lançado no dia 15 de novembro, às 14h, na 62a. Feira do Livro de Porto Alegre.
Ei-lo:
Soneto XXXI
"Que posso eu amar senão o enigma?" (Nietzsche)
Bem tolo, amor, é quem te compra em drágeas
ou, ainda pior, dulcíssima emulsão,
pensando que és, amor, a cura mágica
do humano mal, divina salvação.
Ingênuo, amor, é quem pretende
permanecer distante, estar a salvo,
seguir dietas, evitar ambientes
insalubres, manter-se vacinado.
Que coisa eu posso amar, senão o enigma,
que quanto mais me é estranho, mais fascina?
Que posso amar, senão o enigma e nada
além, buscar no outro o que me falta,
sabendo nele amar o imprevisível,
amor que a nós faz cada vez mais livres?
domingo, 2 de outubro de 2016
Há quatro anos, Luta+vã vinha ao mundo
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| Na foto, minha editora Clô Barcellos e o poeta Ronald Augusto, que fez a seleção e apresentação dos poemas do livro. (foto Kiran Federico León) |
O título faz referência a um poema de Carlos Drummond de Andrade, intitulado "O lutador", que inicia assim: "Lutar com palavras/ É a luta mais vã/ Entanto lutamos/ Mal rompe a manhã".
Além do título, um poema do livro também faz referência ao mesmo trecho de Drummond, além de dialogar com uma canção de Chico Buarque ("Eu faço samba e amor até mais tarde...") e com uma passagem célebre de Romeu e Julieta, de Shakespeare. Ei-lo:
Soneto XXIII. (Da luta mais vã)
Faço versos de amor até mais tarde
e fico deprimido de manhã.
Mistura-se ao cansaço a saciedade.
Sou o bagaço da “luta mais vã”.
E à cotovia ou rouxinol que acaso
me venham com seu canto despertar
perguntarei se terão avistado
a minha amada, quando, em que lugar?
De perguntar em vão exausto, enfim,
retornarei à torre de marfim
onde aguarda meu amor o seu leito
de morte. Onde o meu verso, porém,
encontrará seu metro, muito além
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
O soneto no boteco
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| O famoso Zicartola, no Rio de Janeiro, em cujas mesas muita poesia nasceu. |
Embora um dos segredos da poesia seja a capacidade de enxergar as coisas do cotidiano (em nossa casa, nossa rua e nossa cidade) de forma distinta da que estamos acostumados, também é fato que as viagens nos oferecem sempre oportunidades e motivações para escrever. Assim como um poema que publiquei aqui no mês passado surgiu numa viagem de ônibus pelo Rio Grande do Sul, o de hoje foi iniciado num bar, numa de minhas visitas à capital paulista, onde por acaso me encontro novamente no dia de hoje. Foi há exatos 10 anos, e continuo gostando muito dele. Está em Luta+vã (Libretos, 2012).
Soneto XXVIII (Paulistano)
O alívio de sentar-se num café
e ver um futebol sem ter idéias...
E ao tempo em que absorvo o alimento,
deixar que o chope faça o seu efeito.
Sonhar que a moça loira à mesa em frente
é a mesma que deixei nalgum lugar,
assim como hoje deixo em casa o peso
dos anos e problemas cotidianos...
O alívio de deter-se em qualquer parte
estranha a mim, alheia ao meu caminho,
alívio de ser eu, ansiado prêmio
que a mim parece inteiramente justo,
igual ao resultado da partida
jogada por dois times que eu ignoro.
sexta-feira, 29 de abril de 2016
O Primeiro anel (2): A capa, poemas viajantes e um soneto

A capa, da Cristiane Löff, era padrão para a coleção,
só mudando a cor para cada novo livro.
Na primeira postagem, sobre o aniversário de 20 anos de O primeiro anel, meu segundo livro, fiquei devendo a capa. Ei-la. O título do livro (é a primeira vez que explico isso) fazia referência ao ano de Saturno, equivalente a 29 anos e alguns meses na Terra, período que segundo a Astrologia marcaria um largo ciclo na vida humana e que vinha a ser a idade que eu tinha enquanto o livro estava em preparo, tempo em que efetivamente sucederam mudanças marcantes em minha vida. "Anel", aqui, portanto, significa órbita ou ciclo, mas faz também referência aos belos anéis que caracterizam esse planeta. O projeto original do livro tinha quatro seções, em ordem cronológica, mas devido à limitação do formato da coleção Petit PoA acabou saindo somente a última, que continha os poemas mais recentes.

Para quem não mora em Porto Alegre: os poemas são impressos...
Por ocasião do lançamento, dois dos poemas - o "Soneto XV" e um poema sem título - já tinham circulado muito pela cidade... de ônibus. É que eles foram selecionados numa das primeiras edições do projeto Poemas nos ônibus, em 93/94. O sucesso desse projeto da Secretaria Municipal de Cultura era tamanho que até hoje nenhum de meus poemas foi tão popular (com exceção do Hino de Lajeado, do qual falarei em breve). Ei-los aí, em suas versões originais.
Um soneto é sempre um desafio, e costuma dar trabalho. Mas não é ponto de partida: é só quando o poema já está bastante bem esboçado que constato, com certa alegria, que o jeito que ele vai tomando se aproxima dessa forma clássica. Só escrevi uns trinta e poucos até hoje, o que dá uma média de um por ano, mais ou menos. Mas o trabalho vale a pena. No prefácio do meu terceiro livro, Dança das Palavras (1998), o Luís Augusto Fischer escreveria que...

... em adesivos como esses, colados às janelas dos ônibus.
"Na forma do soneto, por exemplo, o Álvaro é seguramente um dos mais hábeis poetas de nosso tempo e em nossa língua. Pode alguém achar que isso não é vantagem muita. Não faz mal. Fazer soneto não é para qualquer bico (de pena)."
Reparem que este aí só tem duas rimas diferentes, em "im" e "ão". Pobres à primeira vista, pela insistência acabam produzindo um efeito interessante, ecoando a alternância dos opostos "sim" e "não", que representam o estado de ânimo de quem precisa desapaixonar-se (ou largar o vício?) para sobreviver e seguir em frente.
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| A capa, da Cristiane Löff, era padrão para a coleção, só mudando a cor para cada novo livro. |
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| Para quem não mora em Porto Alegre: os poemas são impressos... |
Um soneto é sempre um desafio, e costuma dar trabalho. Mas não é ponto de partida: é só quando o poema já está bastante bem esboçado que constato, com certa alegria, que o jeito que ele vai tomando se aproxima dessa forma clássica. Só escrevi uns trinta e poucos até hoje, o que dá uma média de um por ano, mais ou menos. Mas o trabalho vale a pena. No prefácio do meu terceiro livro, Dança das Palavras (1998), o Luís Augusto Fischer escreveria que...
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| ... em adesivos como esses, colados às janelas dos ônibus. |
"Na forma do soneto, por exemplo, o Álvaro é seguramente um dos mais hábeis poetas de nosso tempo e em nossa língua. Pode alguém achar que isso não é vantagem muita. Não faz mal. Fazer soneto não é para qualquer bico (de pena)."
Reparem que este aí só tem duas rimas diferentes, em "im" e "ão". Pobres à primeira vista, pela insistência acabam produzindo um efeito interessante, ecoando a alternância dos opostos "sim" e "não", que representam o estado de ânimo de quem precisa desapaixonar-se (ou largar o vício?) para sobreviver e seguir em frente.
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