Na próxima quinta-feira, dia 25 de novembro (também conhecida como depois de amanhã), a partir das 19 horas, acontece o XV Festipoema. Promovido pela prefeitura e pela academia de letras da cidade paulista de Pindamonhangaba, esse festival premia anualmente poemas inéditos (de todo o país) e declamadores locais, que sobem ao palco para defender os poemas selecionados. Nesta edição, tive a honra de ser um dos 15 poetas selecionados, e estarei representando o Rio Grande do Sul."Estarei", claro, é modo de dizer. Meu poema "Preso-Livre" é que vai estar sendo declamado por lá. Resultado de um desafio proposto pela Fundação Iberê Camargo, em torno da situação de isolamento social, foi escrito em junho do ano passado.
O XV Festipoema terá transmissão ao vivo pelo canal da Prefeitura de Pindamonhangaba no Youtube. Mas os leitores do blog podem ler aqui o poema, em primeiríssima mão.
Preso e protegido
(por enquanto, ao menos)
nesse apartamento:
pássaro cativo,
morrendo de medo
de sair do ninho.
dentro de uma cela
ou num casamento.
que nunca dão trégua;
preso (não tem jeito)
à ilusão das telas.
de suas escolhas;
por grave delito;
a um amor antigo.
ao pecado, ao vício,
a um corpo finito,
a uma vida pouca.
todos os entraves:
alma impenetrável
àqueles olhares
prontos a julgarem
o que não lhes cabe.
não enxerga o mal,
aberto aos convites
que a vida lhe faz.
Livre qual o cometa,
no espaço infinito,
zomba dos planetas,
em seus rumos fixos.
qual lagarta presa
em roupão de seda,
pendente de um fio,
que, sem prévio aviso,
numa tarde quente,
vira borboleta
e ganha o vazio.

